sábado, 29 de novembro de 2008

Nosso sonho...



O sonho, a droga maior do poeta

Em circunstância da fuga
Cada qual com sua válvula de escape
A realidade cobra com preço de ouro
Cada segundo de ausência
No retorno, uma frustração a mais
É impossivél pagar
O tempo contador fiél da vida
Anota todas as pendências
No momento mais vulnerável
A conta chega com todo rigor
Mais uma vez, o pai de todos os covardes
Abre o portal paralelo
Sonho e realidade na dança
O nada pede licença para entrar
Desperta o ciúme para a festa
O fugitivo maior se arma
Do que tem de recurso
As inocentes letras

manoel freitas de oliveira

Visitar o ontem

É perigoso visitar o ontem
Sem o aval do nada
Onde o risco é total
Cada segundo na estrada
Meia gota de ilusão
Visita a carcaça sem balança
Brilha calor no risco
Passos de gigante
Neste mundo pequeno demais
A corrente do “sim”
É muito pesada
Sufoca a nova história
Nua das promessas do ontem
Reina a covardia do “não”
Ao voar liberto total
Das cobranças sem troco
Talvez valer a pena
Voar pela ultima vez.

Manoel freitas de oliveira

O trem

Lentamente o trem vem chegando
Sem muito barulho que possa acordar
O tripulante da hora tão incerta.
O toque do sino parece muito distante
É preciso muito silêncio para ouví-lo
Uma poltrona com conforto aguarda
Cada qual com eterna serenidade
Com pouco ou muito medo... Pouco importa
Não há saída para ninguém, vamos viajar...
Aos que ficam uma forte lembrança
Que aos poucos vai enfraquecendo, enfraquecendo...
E aos poucos, uma suave saudade

Manoel freitas de oliveira

O preço da saudade

Passa pela montanha
Que oculta o ontem
No estar só
Com deixas cobradas
A cada segundo
As histórias bagagem
Pesam na alvorada
Com rodeio de passáros
Fundo verde demais
Brisas frias
Que aquecem o real
Desta fuga de todos.


Manoel freitas de oliveira

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O pedido da rosa

Este pedir em ser única
Pode não ser bom a ti
Em um local escuro e solitário
Passará até o fim dos dias
Escondida do mundo
De tudo e todos
Aqui cuido de todas
Sem escolha de cor
Todas lindas e preciosas
Uma joía tem preço
A quem paga mais
A beleza escravizada
Ao admirador secreto
Ao bel prazer torna imortal
A arte sem vida inerte
Cercada de cuidados frios
Apenas pelo mercado particular
O valor abaixo dos valores
Que poderia valer tanto
Em sonhos tolos
É preciso sonhar em sonhos
Que ao acordar
A beleza da vida é sonhar.

Nietzsche por ele mesmo

Ao peneirar a origem
Com cuidado de seguidor
Ir somente nas deixas
Que não pesam a história
Deste mestre dos mestres
Um lado apenas humano
Com frieza de caçador
Que segui em trilhas
Cada passo de susto
Que banha o agora
Sem quebrar a razão
Apenas ir na fonte
Das descobertas do casulo.